Começando pelo mais simples (epidemiologicamente falando!): nestes 30 anos de epidemia de HIV/aids são extremamente raros os supostos casos de transmissão sexual entre mulheres. Nos casos investigados, em geral estão presentes outros riscos, como relações com parceiros masculinos ou compartilhamento de seringas.
Um estudo realizado com mais de um milhão (sim, um milhão) de mulheres doadoras de sangue não identificou nenhuma mulher infectada pelo HIV entre aquelas cujo único risco era manter relações sexuais com outras mulheres. Até o momento, não há casos confirmados de transmissão homossexual entre mulheres tanto nos Estados Unidos (conforme dados atuais do CDC) quanto aqui no Brasil (conforme dados do Ministério da Saúde).
Aqui dá prá fazer uma inflexão: como é que fica aquela história de que a aids é um castigo divino prá punir os homossexuais? As mulheres homossexuais são as ‘abençoadas’? Prá ver que Deus (e o Diabo) tem coisas mais sérias prá se ocupar do que com moralismos perversos...
Mas então, como mulher que transa com mulher também se chupa, dá prá dizer que, quanto ao HIV, o risco da relação boca-boceta (cunilíngua, cunnilingus) é praticamente teórico, tanto prá mulher que chupa quanto prá que está sendo chupada.
Por decorrência, quando um homem chupar uma mulher ambos vão correr um risco teórico também. Há um bem conhecido estudo espanhol (de 2002) prá justificar esta afirmação. No estudo, uma equipe de pesquisadores acompanhou, durante dez anos (de 1990 a 2000), 135 pessoas heterossexuais (110 mulheres e 25 homens) que eram negativas para o HIV e cujo único risco, ao longo desse período, era manter sexo oral sem proteção (tanto boca-pau quanto boca-boceta) com seus parceiros/parceiras que eram conhecidamente positivos para o HIV. Suas relações vaginais e anais foram sempre protegidas. Ao fim do estudo, após cerca de 19.000 exposições orogenitais desprotegidas, não ocorreu nenhuma soroconversão.Mesmo assim, vale a pena levar em conta alguns cuidados, como evitar sexo oral sem proteção se a parceira que vai ser chupada estiver no período menstrual, ou se ela tiver lesões aparentes na vulva, ou quando quem vai chupar tiver lesões na boca. Sem proteção, também é recomendável ficar mais centrado no clitóris (grelo) e nas porções externas da vagina.
Enfim, embora as chances estatísticas de infecção pelo HIV por esta via sejam quase desprezíveis, outras DST podem ser adquiridas desse modo, tanto na direção boca-boceta quanto vice-versa.
Então, se você não sabe se a pessoa tem ou não alguma DST, use alguma barreira de proteção.
Prá relação boca-boceta é recomendado o uso de dental dam (um quadrado ou retângulo de látex comprável em sex shops ou em lojas de produtos odontológicos) ou de papel filme (tem no supermercado – mostrado na postagem anterior).
Enfim, embora as chances estatísticas de infecção pelo HIV por esta via sejam quase desprezíveis, outras DST podem ser adquiridas desse modo, tanto na direção boca-boceta quanto vice-versa.
Então, se você não sabe se a pessoa tem ou não alguma DST, use alguma barreira de proteção.
Prá relação boca-boceta é recomendado o uso de dental dam (um quadrado ou retângulo de látex comprável em sex shops ou em lojas de produtos odontológicos) ou de papel filme (tem no supermercado – mostrado na postagem anterior).
A camisinha (com ou sem sabor) também pode ser transformada em um retângulo de látex e é uma proteção adequada. Veja abaixo o “passo-a-passo”.
Na avaliação das práticas sexuais, especialmente quanto ao HIV, é importante levar em conta os fantasmas do moralismo. Nunca ouvi de algum homem o relato de uso de barreira prá chupar uma mulher. Mas já li recomendações para que lésbicas (!) as usem, assim como ‘dedeiras’ prá enfiar o dedo na boceta de suas parceiras.
Vocês conhecem algum casal heterossexual que use ‘dedeiras’ nas relações sexuais ou que assim tenha sido recomendado por profissionais de saúde? Nem eu.
Se a gente não para prá pensar, o prazer dança. Ou os cuidados e a prevenção vão pro espaço, naquela lógica do ‘já que tô ferrado, que seja ferrado-e-meio’...
Na próxima postagem, enfim, vamos ver o que acontece quando a boca encontra um pau pelo caminho...



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